Distancias

Já faz algum tempo que não apareço por aqui. Entrei no Portal, me destaquei, participei e… sumi. Foi assim, sem mais nem menos.

Explicações são diversas mas, para a quem da-las? E por que? Quem são essas pessoas que eu sequer conheço mas sinto tamanha falta? E por que sinto falta delas se nem mesmo as conheço?

Essa pergunta causou-me profunda estranheza ao perceber suas implicações. Ao perceber que, sem ter por que, simplesmente passei a sentir falta de amigos que não tenho, ou melhor, que não são fisicamente viáveis.

Isso me trouxe de volta – minha vida online me faz falta. Ela é igual, e ao mesmo tempo diferente. Existem pessoas que compartilham os dois universos – online e offline – mas ainda me causa estranhamento sentir falta de pixels, de avatares, de pessoas as quais apenas conheço o nick, o avatar… um texto ou foto.

Passei a olhar com mais carinho para muitos daqueles que chegam ao fandom e que sentem extrema tristeza quando tem que, ainda que por um breve momento de suas vidas, se afastar do portal, fórum ou qualquer ferramenta interativa online que o valha. Me percebi digitalmente com extensões de mim… Me percebi fazendo parte da vida de pessoas online, e senti suas existências de forma muito mais dolorosa do que imaginava.

Percebi que existe um carinho e trabalho naqueles que usam seu tempo para dar vida a este local e o quanto podemos fazer falta em outros locais.

Percebi que gosto daqui…

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Geração intermediária

O último grande acontecimento que viria a marcar o mundo por uma questão de movimentação mundial, de atitude consciente, de ação social que mudaria tudo que eu me recordo de ter visto, ou seja, de estar vivo, consciente do ato e seus resultados, foi a queda do muro de Berlin.

Desde então, não me recordo de grandes ações mundiais de peso. Não me recordo de ter visto grandes ações que mudariam o curso da humanidade. Claro, houve uma série de eventos e pessoas que fizeram e fazem a diferença desde então, mas como um todo, não podemos por exemplo, destacar nossa geração como grandiosa, como imortalizada por algum período ou evento.

Novamente, não estou propriamente dizendo que nossa geração não foi marcada ou marcante, mas é muito difícil caracterizar nossa “era”.

Foi pensando nisso durante uma conversa, que pensei em alguns males de nossa geração e cheguei a conclusão que somos a geração intermediária a grandes eventos e acontecimentos, por isso nos vemos num momento onde todos buscamos a fama, o reconhecimento externo e coletivo. Precisamos de uma grande figura mas ainda não encontramos, desta forma todos nos somos potencialmente passíveis de sermos o “ícone” de nossa geração.

Vejamos:

Nossa geração construiu a internet. Deu vida, forma. Claro, alguém aqui pode dizer “mas a internet , ou melhor, a arpanet… blábláblá…” e sim, isso é tudo mais antigo, mas foi nossa geração (aplicável a todos que viveram o final dos anos 70, começo dos 80) a responsável pela internet nos moldes aceitáveis, praticáveis, conhecida e utilizada por todos. Nossa geração é quem ditou – e ainda comanda – os formatos e utilizações da grande rede.

Hoje, é a nossa geração quem dita as regras da informação. É a nossa geração quem demanda informação precisa, rápida, coesa, simplificada, ágil, mutável e participativa.

Nossa geração é responsável pelo uso das mídias digitais. É responsável pela queda da mídia impressa, pela obrigatoriedade de validar qualquer tipo de informação. Também somos os responsáveis por qualificar as informações em termos de utilidade para todos, para um grupo e para nós mesmos.

Somos nós quem criamos fóruns, listas, blogs. Somos nós também os responsáveis por pesquisas de comportamento que potencializam sites de venda. Somos os responsáveis pelas novas mídias de consumo.

Nossa geração é a responsável por divulgar informação, compartilhar, validar e re-avaliar.

Fica então a pergunta:

Estamos trabalhando corretamente para divulgar a informação, não há duvidas disso. Mas estamos nos preparando para lidar com esta quantidade de informações? Estamos entendendo “informação” como um bem de consumo? Estamos preparando nossos filhos/alunos para avaliar informações? Estamos preparando os outros para compreenderem que nem toda a informação é VITAL? Ou estamos nos comportando hoje como os antigos barões que agregavam livros e mais livros em suas bibliotecas, lhes conferindo um certo “ar de inteligentes” mas que pouquíssimos absorviam TODO aquele conhecimento?

Hoje a informação está em quase todos os lugares. Ao mesmo tempo, ainda temos pessoas longe dessa realidade e o incomodo vem das pessoas que possuem a informação e não admitem que você não a tenha.

Nossa geração é a responsável pela propagação de informação e pela demanda de infra-estrutura para conectividade. Somos nós quem estamos ditando o que será da internet.

Nossa geração não fabricará grandes lideres, grandes pensadores ou grandes descobertas, mas será responsável pelo início de uma nova era de acontecimentos.

Por isso vivemos num constante clima de inquietude e necessidade de visibilidade. Nunca se viu antes na história uma geração tão desesperada por visibilidade. Ao mesmo tempo, nunca se produziu e documentou-se tanto como agora.

Desta forma, devemos lembrar que é nossa responsabilidade mapear os nossos próximos passos para que futuras gerações venham a fazer uso de uma internet poderosa, cheia de informações, interfaces amigáveis, disponibilidade e conteúdo diversificado, mas acima de tudo, devemos nos fortalecer offline, instruindo nossos filhos a questionar. Devemos fortalecer nosso futuro com mentes questionadoras, mentes que validam suas informações com base em sua realidade, seu entorno e ao mesmo tempo, hábil o suficiente para compreender questões globais. Devemos criar uma geração que será capaz de utilizar-se de todo esse conhecimento gerado online, coisa que hoje, não fazemos e, quando fazemos, ainda não sabemos ao certo como fazer direito.

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Homenagem aos escritores

Tenho andado preocupado últimamente. Preciso escrever…

Tenho projetos, tenho um livro em andamento, vários contos a entregar, várias ideias a elaborar… mas não escrevo. Não sai. A agonia das palavras entaladas na garganta, a ansiedade que te acorda – ou não te deixa dormir – e que incomoda. O que fazer?

Planeja, planeja planeja… mas parece que sempre acontece algo, e você não consegue.

Ruim. Muito ruim. Que fazer?

Ai, você visita outros ares, outros blogs, outros textos, outras aulas, outras… percepções.

Você acaba apurando a sua própria percepção, através das palavras alheias. Você coleciona textos maravilhosos através do consolo literário de outras pessoas.

E no final do dia você se sente feliz por ter embarcado num outro mundo maravilhoso, com outras percepções, outras ideias…

OUTROS TEXTOS PRA ENTREGAR.

É um ciclo vicioso. Mesmo assim, é necessário disciplina. Disciplina para se fazer compreender. Disciplina para apurar a percepção de fatos, causos e histórias, verdades e apurações. É necessário compromisso com quem lê, com quem escreve e com você mesmo. É necessário cuidar com carinho daquilo que você produz. É necessário… um monte de coisas.

Mas no final, esse é o tipo de incômodo bom, que te faz pensar, que te leva a algum lugar desconhecido da sua percepção e que faz com que você queira evoluir.

Minhas férias vem ai… desejo-me toda dedicação do mundo para continuar alimentando, produzindo e cuidando daquilo que mais amo:

Meus textos!

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O lado bom dos furcontros

Acho o máximo o jeito como vejo as pessoas que conheço no fandom. Sabe? Não dizendo que eu conheço profundamente nem nada parecido, mas é muito interessante perceber quem são essas pessoas por trás dos avatares. É realmente bacana e, por outro lado, também curioso.

Conheço alguns membros que são pequenos, mas se fazem grandes. Outros que são enormes mas se fazem pequenos. Feios e bonitos, todos com disparidades em seu lado humano. Mas claro, é assim mesmo: Nós não somos nossos avatares.

O mais gostoso? É que depois que você conhece a pessoa “de verdade” atrás daquela imagem, você vê, sabe? Você reconhece o avatar na pessoa. Você… mistura as imagens na sua cabeça, passa a perceber semelhanças, as vezes, inexistentes, sabe? É bem gostoso…

Alguns avatares dizem mais do que a gente imagina. Conheço, ou melhor, vi duas pessoas as quais o avatar realmente não condiz, sabe? E ai pensei: “Esses devem ser os mais legais para se conhecer”, sabe por que? Por que não estão fingindo ser nada, mas a disparidade com o avatar é tão grande, que só pode significar muita história, muita experiência vivida até ali e que o avatar mostra, mas a gente não vê. Ainda vou conhecê-los mais – ou pelo menos quero muito.

Um amigo me disse uma vez: “tenho medo de fursonas dragões” – e naquela noite, rimos muito. Mas me deparei com esse pensamento também. Não que tenha medo, só acho diferente. Mas ai, me peguei pensando que devem haver outros furries que, como meu amigo, talvez não falem com certos furries pela sua espécie. Engraçado não? Percebe onde a gente consegue chegar com esse pensamento?

Mas não quero ver o lado ruim dessa história. Não agora, não hoje, fica pra próxima. O que quero falar agora é sobre como algo que poderia nos remeter a tanto preconceito e desavença estranhamente nos une. Vejo a galera, tão diferente, tantos conceitos, escolhas, vidas opostas e, no entanto, todas aqui.

O lado bom dos furcontros é matar essa loucura. É tirar um pouco dos preconceitos que fazemos dentro das nossas mentes. É relevar aquele cara que escreve mal, por que ele é bacana demais. É desencanar da garota que não desenha, por que é gente boníssima. É tirar a ideia de prepotente daquele avatar de dragão, por que o cara é gente boa pra caramba. É descobrir que aquele yiffer louco é louco mesmo… mas também é gente boa.

O lado melhor do fruncontro é que todo mundo se diverte. Se reconhece. E é uma delícia andar na rua depois e ouvir alguém gritando : “Hey, ShadowFox…” ao invés do meu nome ou apelido, só pra variar…

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Pessoas de mentira, furry de verdade.

Uma das coisas que me chamam atenção no trabalho é sacar como nas redes sociais, fóruns e afins, que possuem uma função específica, quase todos os seus integrantes tem a mesma formação e/ou profissão ou estão no mesmo ramo em posições diferentes.

Percebi que aqui no Fauna Urbana, nosso ponto em comum é o furry. O mais engraçado é que, alem de não haver um consenso sobre “o que é furry” e tudo mais, encontro os mais diversos tipos.

De ilustrador a dentista, de desenvolvedor do jogos para Ipad a cobrador de ônibus, de pai e mãe solteiros a guitarristas, de universitários a massagistas.

Não pretendi de maneira alguma, fazer uma comparação entre categorias por excelência antes de mais nada. Foi apenas uma reflexão de quão distantes podem ser essas pessoas por trás das fursonas e, ao mesmo tempo, como algo não definido, consegue juntar tanta gente bacana.

Digo isso também por que dentro deste universo louco chamado fandom, todos os furries que conheci na vida real, são pessoas excelentes. Estão além de seus fursonas; estão como belos modelos de pessoas reais, dessas que o mundo anda precisando um pouco mais, sabe?

E então me perguntei:

Se somos tantos, e estamos espalhados em tantos lugares, em tantas formas e com tantos acessos a locais, grupos, bandos diferentes… então por que sinto que em algum lugar, o mundo anda precisando de gente como nós?

Acho que no final, somos muitos e ainda assim poucos se comparados a tantos outros que ao invés de sorrir, ajudar, colaborar, contribuir, viver, preferem se fechar em um outro conceito o qual também não foi definido: O Ser Humano Adulto.

Tive essa reflexão após ler o post do Hreter e percebi que me incomodava essa busca que alguns furries em ter uma definição para furry e percebi o quão danosa pode ser uma definição. Sabem que hoje em dia, existe uma categoria social chamada “Jovem adulto” que abrange de 21 a 35 anos? Isso por que essa nova geração de “adultos” é diferente da antiga… talvez mais light, mais brincalhona e, ao mesmo tempo, mais ativa, mais questionadora, mais adolescente.

O fórum nos une. Nos ajuda a disseminar experiências diversas entre nós. E algo me diz que replicamos o que aprendemos/compartilhamos aqui dentro com latidos, uivos, rosnados, grasnidos e outras onomatopéias, lá fora em palavras humanas.

Fico feliz em imaginar que somos furries de verdade, ajudando os falsos humanos lá fora…

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Vida real, blogs e diálogos.

Uma dissertação parte do princípio de um interlocutor e um ouvinte, ou seja: Um fala, outro ouve. Um diálogo segue o mesmo princípio mas, na maioria das vezes, o interlocutor aguarda uma resposta/opinião sobre o tema exposto. Isso SE estivermos no ambiente presencial, ou seja, na vida real.

Não gosto de usar o termo “vida real” por que mesmo na internet, muitas pessoas dialogam, expõe, comportam-se exatamente igual fariam fora dela, portanto para estas, a internet é parte da chamada Vida Real.

Temos um novo espaço aqui no Fauna Urbana; a Vila do Blogs, onde cada membro registrado ganha um espaço para fazer seu blog. Ele vai dizer se quer conversar, expor ideias, informar, divulgar, ou tudo ao mesmo tempo, ou nenhum destes e sugerir uma nova utilização para o mesmo.

Fazemos o mesmo fora da internet. Tudo que nos for oferecido, uma vez aceito, é de nossa total e irrestrita escolha a forma como aproveitaremos o que nos foi dado. Um carro pode virar um triciclo ou uma maquina de caldo de cana. Um cinto pode virar um enfeite ou coleira. Um espaço/terreno pode ser qualquer coisa que você definir.

Faz parte de meu trabalho avaliar, analisar e conversar em fóruns diversos. Noto sempre a apropriação de grupos específicos em relação a apropriação e uso destes espaços. Percebo hoje uma enorme semelhança com o convívio social. Tudo aquilo que nos é oferecido ou adquirido, embora exista um conceito pré-formatado de utilização, somos nós que escolhemos como vamos usar. Somos nós que vamos atribuir valores, uso, tempo, dedicação, respeito, e por ai segue uma lista quase infinita.

E espaços como blogs por exemplo, tem sua utilização ainda mais ampla em termos de possibilidades. Todos podem expor livremente o que desejam. E todos podem decidir se querem espaços de conversa (adicionando ou excluindo comentários, por exemplo) ou locais de exposição de idéias, trabalhos ou divulgação/multiplicação de informação.

Sabe por que eu amo esses espaços? Por que eles são como as pessoas que amamos. Expomos a elas o que achamos importante. Divulgamos nossos amores a outras pessoas quando nos orgulhamos. Rebatemos comentários quando nos desagradam ou quando ficam mal entendidos por que como amamos aquela pessoa, queremos que outros gostem também. Fechamos conversas quando queremos zelar ou proteger essa pessoa de outros potencialmente danosos (excesso de zelo talvez). Enfim… Amamos blogs como amamos as pessoas. Algumas mais, outras menos. Algumas nem sequer amamos, mas temos contato diário.

Enfim; blogs e pessoas são muito parecidos, não? Eu acho. E por essa razão procuro lembrar sempre ao postar um comentário, que estou falando com uma outra pessoa que teve coragem de expor sua idéia, pensamento, vontade, desejo, opinião. E isso é raro.

Portanto, lembro-me sempre de considerar o estilo do blog, perceber se existe uma conversa ali ou somente uma exposição de idéias ou trabalhos e me pergunto se aquela pessoa quer me ouvir também.

É o respeito mutuo entre o interlocutor e o ouvinte.

Existem dois ditados que gosto muito:

Quando um não quer, dois não brigam

Deus lhe deu duas orelhas e uma boca: Ouça mais e fale menos

E da combinação dos dois, sempre penso que uma conversa só se inicia quando estou disposto a mudar minha idéia ali exposta. Afinal, de que me vale expor algo se não acreditar que posso estar errado?

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Liber(responsabili)dade de Expressão

A liberdade de expressão pode ser encarada de diversas maneiras. O mais comum é entendermos que todo indivíduo tem direito a livre expressão ou seja, tem o direito de dizer, escrever, falar, publicar aquilo que quiser. Claro, devemos lembrar sempre que, embora seja um direito, tem suas regras.

Mas a liberdade de expressão demanda também um alto grau de responsabilidade. Para com o outro pois sabemos que “sua liberdade acaba quando começa a do outro” mas também para si próprio.

E responsabilidade para consigo mesmo reflete em diversas esferas do ser humano que pouquíssimas vezes paramos para avaliar. Liberdade de expressão se aplica a tudo que você decide fazer em sua vida. Seu trabalho, seus estudos, sua alimentação, seu estilo de vida. Tudo isso pode ser encarado como liberdade de expressão. Afinal, aquilo que você faz, estuda, come, expressa quem você é.

Para exercer sua liberdade de expressão, você tem que ser responsável consigo mesmo. Tem que pensar em suas escolhas, nos seus atos, até mesmo no seu dia-a-dia.  Você tem feito isso? Você é sincero com você mesmo? Já olhou seu trabalho ultimamente? Ele reflete aquilo que você é?

A maior parte dos leitores podem pensar: “Não, mas preciso deste emprego para sobreviver” etc, mas ainda assim, é uma escolha estar ai, no lugar onde você está e também é uma forma de expressar sua pessoa, que pode estar dizendo que é capaz de assumir posições não tão agradáveis em ordem para manter o convívio social. No meu caso, por exemplo, posso largar meu emprego no momento que ele não mais refletir minha pessoa e estou pronto para arcar com as diversas problemáticas derivantes de “não se ter fonte de renda” ou afins.

Isso não significa que não vou penar ou reclamar na adversidade, mas significa que tomarei para mim a responsabilidade da escolha. significa que devo pensar, analisar e perceber todos os prós e contras de se tomar uma atitude como abandonar o emprego quando este não mais me satisfizer por um motivo “não tão sério”.

Mas então, como fica a responsabilidade de expressão? Tenho que ser honesto comigo. Não estou feliz? Devo sair. Estou feliz, mas o pagamento é pouco. Sou responsável pelo meu estilo de vida ou por meu balanço econômico.

Fiz esta analogia por que lembrei de quantos “Furries” eu conheço que não podem contar que são Furries ou não podem expressar determinados gostos ou afinidades. Assim, me pergunto – onde está a liberdade de expressão? E a responsabilidade para consigo mesmo? Poder dizer de peito aberto qualquer tipo de informação, significa responsabilidade em arcar com as possíveis consequências de seu entorno, do seu ambiente, que ira ditar ou representar as respostas às suas afirmações.

E é, através da leitura das respostas dos indivíduos que me cercam que posso analisar se esta é a vida que quero, que gostaria. Sou responsável comigo mesmo quando não tenho medo em utilizar minha liberdade de expressão pois me cerco de pessoas que estão comigo por afinidade, respeito e carinho. Desta forma, mesmo na mais profunda estranhes de escolhas na minha vida, estarei junto a elas por outras afinidades, ou por respeitarmos mutuamente nossa liberdade de expressão.

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Educação, Culpa e a modelos colaborativos

A internet se baseia em um modelo livre de troca de informações. Até mesmo a própria existência da rede, baseia-se no potencial colaborativo de todas as pessoas que participam e utilizam, de alguma forma, a rede em si. Qualquer usuário, em qualquer momento, pode vir a perceber/detectar um erro ou potencializar uma idéia, uma linha de código, redesenhar um processo atual e implementar um idéia, um texto, uma imagem, som, conteúdo.

Nos processos de aprendizagem adotados mundo a fora, percebo que existe sim uma tentativa de adequarem suas realidades, costumes e culturas a seus conteúdos e metodologia. Com o avanço tecnológico, uma das grandes mudanças que se fez presente no paradigma educacional foi a necessidade de introduzir cada dia mais, a prática, o experimento, juntamente com a teoria. Escolas técnicas ou tecnólogos, ganham cada dia mais prestígio e respeito, como qualquer outra categoria. Percebe-se a necessidade da prática antes da formação concluída.

Mas hoje, vivemos não só sob a ótica de um mundo “globalizado” como também estamos quase todos diretamente conectados pela rede, através dos cabos, ondas e demais formas de comunicação. Passamos cada dia mais e mais atarefados, iludidos pela falsa sensação de “ganharmos tempo” esquentando nossos almoços no microondas e, ao invés de desfrutarmos este tempo ganho, voltamos cada vez mais rápido para nossas estações de trabalho.

Tendo essa nova prática diária em mente; Estamos preparando nossos valores para isso? Estamos potencializando nossas ferramentas educacionais para essas possibilidades? Estamos explorando o potencial de nossas “redes sociais” para aprender mais, para colaborar mais, para compartilhar mais nosso conhecimento?

Acredito que não.

Apenas 9% de TODO conteúdo da internet é produzido por usuários classificados como “ativos” ou seja, apenas 9% dos usuários da rede mundial contribuem com conteúdo, escrevem, compartilham, trocam informação relevante, estudam e publicam seus pensamentos, fotos, musicas, criações em geral, produzem mudanças e afetam a rede. Os outros 91% apenas observam. O que isso quer dizer é que, praticamente para cada 10 usuários conectados na internet, 9 estão “apenas olhando”. Nunca escreveram algo, nunca comentaram algo, nunca expressaram suas ideias, conceitos, alegrias, frustrações ou o que quer que seja.

Sempre me perguntei por que. Na maior parte do tempo, recebo algumas respostas padrão:

  • Não tenho nada a dizer/oferecer.
  • Não acho que vão ler/comentar
  • Não sou expert neste ou naquele assunto
  • Não sei escrever

Será? Como assim? Como um ser humano qualquer pode alegar que não tem o que oferecer? Como ele pode imaginar que não é interessante? E como assim, “esperar para ser expert” até poder se expressar?

Lembra-se de como aprendemos a falar? Repetição, erro, correção, assimilação. Todos nós falamos português no Brasil e, ainda assim, ouviremos diferentes expressões e grafias de um lugar para o outro. Isso por que temos a liberdade de expressão acima de tudo. Nosso povo é por natureza comunicativo. O importante é falar…

Quando penso nos modelos antigos, lembro-me que fui ensinado a não errar. Lembro-me de “ficar de castigo” quando não acertava algo ou similar a isso. Esta é a melhor prática de ensinar alguém? Possivelmente, quem estiver lendo este texto, está pensando “claro que não”. Me pergunto novamente: E você? Faz diferente? O fato é que muitos de nós aprendeu a ver o erro. Fomos “adestrados” a perceber o erro. Vemos nossos erros? Não, afinal, se pudéssemos percebê-los antecipadamente, dificilmente faríamos. Aprendemos a “VER” o erro, não a reparar. Aliás, nossa cultura é tão boa em perceber o erro, que nos sentimos bem apontando o erro dos outros. Há quem se sinta ainda melhor quando detém determinada informação que, se compartilhada poderia auxiliar aquele que errou, mas se sente compelida a ridicularizar, menosprezar, inferiorizar o “ser errado/ante”. Antes do auxílio (quando este vem efetivamente) é necessário “brutalizar” aquele que cometeu o erro, a gafe, o deslize, mostrando através de insultos (burro, tonto, sem cultura, grosso…) ou sem antes imaginar que aquela pessoa está tentando se passar por algo/alguém que não é ou tentando parecer mais esperta ou inteligente que o outro, quando na verdade o que ela esta tentando fazer é experimentar, praticar, ousar ou até mesmo por em prova aquilo que está aprendendo ou praticando o conhecimento obtido, explorando a possibilidade de ser corrigido ou de corrigir quem não sabe.

Esse comportamento, com certeza justifica as razões dos 91% de usuários “observadores”. Eles são hostilizados a não tentar, não demonstrar o pouco que sabem. São “colocados no seu devido lugar” quando erram.

A internet potencializa nossas chances de trocar conhecimento, de aprender mais com o outro, de ouvir, experimentar, provar, tentar coisas novas. Estamos preparados para tal? Estamos abertos a um novo modelo de aprendizado onde até mesmo o menos favorecido pode compartilhar e oferecer conhecimento? Estamos prontos a rever nosso conhecimento e verdades absolutas? Prontos para sermos desbancados por crianças de 10 anos que não sabem escrever direito mas podem hackear um iphone? Como lidamos com isso? Nos impressionamos e nos sentimos menores e por isso nos calamos?

Somente a prática nos leva a perfeição!

Os processos educacionais diversos são mais eficientes comprovadamente se aplicados entre pares com afinidades, respeito e principalmente habilidade para trocar: Aprender ensinando!

Como participar de um coletivo, de uma globalização, se ainda nos sentimos fragilizados quando erramos e descontamos nossas frustrações de forma agressiva? Como podemos aproveitar todas as vantagens de milhares de culturas, costumes e comportamentos diferentes se estamos presos à procura do erro do outro para nos sentirmos inteligentes?

A internet vem nos mostrando caminhos: Comunidades, assim como o Fauna Urbana, que une seus pares por afinidade. Temos Furries de todos os tipos, formas e tamanhos, lugares e profissões. Quando observo, converso e convivo com eles, aprendo e compartilho milhares de informações randômicas que, no final de cada 24 horas, somam imensamente informação válida a meu dia a dia. Acho necessário estar aberto a aprender, mesmo quando me perguntam algo.

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Liberdade

A internet propicia razoável liberdade para que você possa “ser” quem ou o que você quiser.

Dito isso, fico a imaginar se as pessoas estão prontas pra entender ou fazer uso de determinadas ferramentas, mas também me pergunto “qual o uso desta ou aquela ferramenta”.

O fato é que as pessoas tendem positivamente a se apropriar das ferramentas. Desta forma, elas passam a dominar seu uso, de acordo com suas necessidades e potencializam as mesmas de forma a atingirem seus objetivos e/ou necessidades.

Isto chama-se liberdade. No contexto livre da cibervia, os mercados estão abertos a conversação e as tecnologias são apenas veículos que podem ser explorados, modificados e utilizados de acordo com a necessidade/objetivo de cada indivíduo.

Ainda assim, os mesmos indivíduos que constituem a assim chamada Rede Mundial de Computadores, ainda não conseguem se “desvencilhar” de vícios de comportamento. Ações e paradigmas praticados fora da internet são transportados digitalmente para a internet, colocando em xeque novamente todos os velhos problemas de comunicação e aprendizado.

O protocolo livre criado para facilitar a comunicação entre diversas máquinas e sistemas operacionais diferentes também foi criado a partir da tentativa e erro. Também passou por refinamentos e está em aprimoramento desde então.

Desta forma, por que “esperar a perfeição” antes da pratica? Por que não “arriscar” mostrar o entusiasmo e contar com a liberdade de errar, contando com milhares de olhares de outros internaltas que podem (na verdade, eles vão) corrigi-lo? Chama-se colaboração. Compartilhamento voluntário de informação. Modelo de aprendizado eficiente que conta com a sinergia de pares unidos por afinidade e não por hierarquia com o intuito de aprimorar conhecimento mútuamente.

Hoje, aqui, agora, posso ser uma raposa azul-marinho, com 7 caudas… ou o que quer que seja e, ainda assim, encontrarei na vastidão digital, um grupo grande de pessoas que potencialmente tem um campo de afinidades próximo, similar ao meu, independente de nossas trilhas no mundo real. Se atentarmos para o detalhe da simplicidade da afinidade, veremos um caminho educacional muito mais eficiente do que os antigos modelos adotados a séculos atrás e ainda praticados em mais de 90% das instituições de ensino de qualquer gênero utilizado até hoje.

Não há do que se envergonhar. Errar faz parte do processo de aprendizagem e, através dos erros, nos aproximamos ainda mais uns dos outros.

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Folha Branca

Casa nova?

Toca louca….

Tudo de novo do zero. Na folha branca, pegada suja e tufos de pelo azul-marinho…

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